sábado, 25 de dezembro de 2010

Natal

Estamos chegando ao fim do ano e o Natal se aproxima modificando os relacionamentos, tornando-os muitos mais emocionais. Como ficamos muito emocionais tanto nos abrimos para sentimentos positivos quanto para alguns nem tanto.

É realmente uma época de reflexão onde podemos olhar para as realizações dos últimos meses. Muita gente que conheço fica medindo o que falta sem avaliar adequadamente o caminho andado e as pequenas conquistas acumuladas.

Nosso futuro é determinado pelas coisas que já fizemos objetivamente, pelas atitudes, pelas ações, pelos fatos. A cada ação corresponde uma reação, então sem ação as reações não têm lugar.

Um planejamento detalhado com metas e objetivos, prazos e passos necessários sempre vai acelerar o processo visando a concretização da construção gradativa da estrada larga onde vamos seguir em direção à felicidade.

A felicidade não é só um estado de êxtase. A felicidade é mais uma soma de todos os momentos vividos intensamente no Aqui-Agora. É a compreensão de que desde o começo dos tempos o Universo segue leis naturais sem contestá-las, entendendo-as como a essência de todas as coisas.

Todo fim de ano é uma oportunidade de convidarmos nossa criança interior a assumir a condução de nossos atos. Colocando alegria em cada atitude e em cada gesto vamos arar a terra deixando que brotem sentimentos de amplitude e integração apropriados para que renasçamos junto com o Cristo trazendo a cada indivíduo a chance de começar de novo a cada ano.

Essa criança que há dentro de cada um de nós e que não fica pulando do passado para o futuro vive prazerosamente cada momento presente por menos significativo que ele venha a parecer.

A criança intuitivamente sabe que no presente construímos o futuro e só no presente podemos ter então a tranqüilidade para nos permitirmos reestruturar emocionalmente nossa relação com o passado nos libertando e libertando aqueles que de alguma forma se fazem presentes em nosso caminhar pelo mundo.

Não é só a criança que nasce na manjedoura há 2000 anos. É a criança que nasce em nosso íntimo trazendo uma carga redobrada de esperança e todas as infinitas possibilidades de retomarmos nossa vida e torná-la conscientemente a coisa mais importante em que podemos concentrar nossa atenção, agirmos e nos abrirmos para todas as maravilhas que podem decorrer dessa ação correta espontânea.

Quando deixamos a criança interior nascer em nosso íntimo uma onda amorosa invade nossa praia levando e lavando as mágoas, os ressentimentos, as frustrações, a tristeza, a solidão, o baixo-astral, a incompreensão e todos os nossos medos e incertezas.

Conseguimos assim nos atirarmos na torrente das incertezas que traz constantemente todas as novas possibilidades.

Possibilidades de crescimento, possibilidades de elevarmos nossa auto-estima e passarmos a cuidar mais de nós mesmos.

Possibilidade de confiarmos mais no plano divino e deixarmos de julgar e nos indispor o tempo todo com a realidade que nos cerca e que não gostamos muito de aceitá-la como é, justamente como é.

Só a aceitação da realidade como é vai nos dar a clareza e os instrumentos de análise apropriados a escolhas que nos levem a uma vida harmônica, equilibrada, saudável e acima de tudo amorosa e potencialmente feliz e realizada.

A aceitação da realidade passa pela aceitação de todos os que nos cercam, como são e entendendo que todos, indistintamente, estão vivendo de acordo com sua tabela de valores e sempre trilhando o que acham ser o caminho da felicidade.

Então o mês de dezembro torna-se uma ponte emocional onde a travessia vai nos permitir escolher a abordagem e postura a serem adotadas na construção de um ano novo. De um ano realmente novo.

Um ano onde cada dia possa ser tambem novo e cheio de horas e minutos onde vamos nos permitir ser novos, novos e novos.

Novas horas e novos minutos, onde o perdão viria ser o sol que ilumina nossas existências trazendo um sentimento de liberdade tão grande que ficaremos brilhando como a estrela de Belém que vai guiar nossos semelhantes na descoberta do Cristo que dorme na manjedoura de nossos corações.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Causas, Efeitos e Sincronicidades.


O princípio de Causa e Efeito foi abordado, de forma impecável, por Hermes Trismegisto, contemporâneo de Abraão e instrutor deste sábio, que viveu no Egito da Antiguidade.
Todas as coisas obedecem a uma seqüência infindável de fatos (causa-efeito). Segundo O Caibalion (livro esotérico e ocultista sobre os Princípios Herméticos, publicado pela primeira vez em 1908, em inglês), que reunia boa parte dos ensinamentos herméticos, não existe o Acaso. Este princípio contém a verdade de que há uma Causa para todo Efeito, e um Efeito para toda Causa.
Não há nada casual. Hoje vemos uma discussão acirrada em torno do fenômeno Big Bang, que teria sido a explosão que deu origem a nosso universo conhecido, onde uma coisa decorre da outra e assim sucessivamente.
Nosso universo estaria em expansão com todas as coisas interagindo como se fossem as bolas em uma grande mesa de bilhar, num movimento infindável.
Essa Lei de Ação e Reação, Causa e Efeito é difícil de observar devido ao fator tempo. Normalmente esperamos que a reação siga a ação num espaço de tempo razoável para que uma ligação lógica, visível possa ser feita entre as duas.
Quando o tempo entre ação e reação se prolonga por dias, meses ou anos, muitos indivíduos tentam explicar a Lei de Causa e Efeito com a palavra “coincidência”. Essa palavra é o obstáculo que o homem precisa superar se quiser compreender a verdade universal.
De qualquer lugar que um indivíduo retire sua compreensão, sejam suas raízes orientadas matemática, científica, filosófica ou religiosamente, ou encontradas em alguma mistura de todas elas, o fato é que a “coincidência” é impossível.
As coincidências surgiriam da dificuldade em associar as Causas aos Efeitos.
Na doutrina esotérica nos é ensinado que o plano físico é o plano dos Efeitos, o ultimo e o mais denso de uma série de estados de consciência progressivamente mais sutis.
Nenhum evento ou circunstância temporal pode ocorrer sem ter sido primeiramente posto em movimento por uma idéia, receber uma carga emocional, para então se manifestar como ação.
As doenças são cada vez mais identificadas como manifestações psicossomáticas de distúrbios e dificuldades.
Diante do volume de estímulos sensoriais a que todos estamos submetidos surge a dificuldade em selecionar o que realmente faz parte do nosso processo e fica difícil associar, na maioria das vezes, as causas aos efeitos.
O desejo da humanidade de explicar o mundo em termos causais trouxe muita confusão e suscitou várias controvérsias na historia do conhecimento humano.
Temos situações em que os efeitos vêm antes das causas: --- Comprei o presente porque o aniversário dela é semana que vem. --- estou saindo agora porque o meu ônibus parte daqui a meia hora --- estou comprando hoje porque amanhã é Domingo, etc.
Dentro de uma visão mais atual, holística, temos uma abrangência fantástica quando somos levados a perceber a sincronicidade, pois não só muda a seqüência causa-efeito, efeito-causa como também vemos várias causas interagindo com vários efeitos. A sincronicidade foi um termo atribuído pelo eminente psicanalista Carl Jung. E é isto que vemos na história de Wang:
Wang sonhou que era uma borboleta. Ele estava sentado nas flores no meio do gramado. Ele voava de um lado para outro, feliz. Então acordou: não sabia mais se era Wang que sonhava que era uma borboleta, ou se era uma borboleta que sonhava que era Wang.

Passando a bola

Um homem acordou e ao levantar-se da cama não encontrou seu chinelo no lugar de costume. Como ele não gostava de pisar, logo cedo, no chão frio, ficou muito mal-humorado. Tomou um banho, vestiu-se e foi tomar o seu desjejum.
A cozinheira tinha feito o suco de sua preferência, só que imerso no mau humor ele disse que o suco estava doce demais e que nunca tinha bebido um suco tão malfeito.
A cozinheira por sua vez, sem saber do ocorrido, ficou muito nervosa com o tratamento e acabou, sem querer, salgando o almoço.
A família reunida na mesa do almoço e a insatisfação foi geral. Uns nem almoçaram. Beliscaram e voltaram ao trabalho mal-humorados.
Durante a tarde transmitiram esse mau humor aos colegas e clientes que sem saber estavam levando a sementinha de mau humor a todo canto.
Num efeito “bola de neve”, de alguma forma, na semana seguinte aquele senhor do chinelo teve uma de suas expectativas frustradas pelo mau humor de um corretor a quem ele havia sido apresentado e que de alguma forma continuava “passando a bola”.
Só que ele, como a maioria de nós, não percebe o alcance das próprias atitudes, sejam positivas ou negativas.
Para nós que acompanhamos o movimento de transmissão de mau-humor ficou fácil ver que o efeito invariavelmente tende a voltar ao causador. Tudo é questão de tempo.

A Regra de ouro

Da mesma forma, se bem entendida e aplicada a regra de ouro de “fazer aos outros apenas aquilo que desejaríamos que os outros nos fizessem, se estivessem em nossa situação.” faria milagres em nossas vidas.
Se um homem compra um par de sapatos importados, ele está indiretamente ajudando a alimentar uma família de um país estrangeiro, que talvez nunca conheça. Entretanto, ele ajudou a melhorar a economia do país estrangeiro e, ao mesmo tempo, permitiu que a família que foi diretamente beneficiada com isso fizesse negócios em outro lugar, talvez comprando comida produzida por pessoas que ela, por sua vez, nunca conhecerá.
As pessoas que produziram a comida podem, por sua vez, adquirir suas máquinas no país do comprador inicial. E a parte fascinante de todo o ciclo fica clara quando se percebe que, provavelmente, algumas partes dessas máquinas tenham sido fabricadas naquele país por uma companhia que paga um salário ao homem que comprou o par de sapatos!
Assim, através de uma série de mundos diferentes, formados por pessoas que talvez nunca se conheçam, cada uma se choca com a vida da outra para que a lei universal de Ação e Reação, Causa e Efeito, a Lei Cósmica do Karma seja cumprida.


"Toda Causa tem o seu efeito, todo Efeito tem a sua causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei.” – O Caibalion