Estamos chegando ao fim do ano e o Natal se aproxima modificando os relacionamentos, tornando-os muitos mais emocionais. Como ficamos muito emocionais tanto nos abrimos para sentimentos positivos quanto para alguns nem tanto. É realmente uma época de reflexão onde podemos olhar para as realizações dos últimos meses. Muita gente que conheço fica medindo o que falta sem avaliar adequadamente o caminho andado e as pequenas conquistas acumuladas.
Nosso futuro é determinado pelas coisas que já fizemos objetivamente, pelas atitudes, pelas ações, pelos fatos. A cada ação corresponde uma reação, então sem ação as reações não têm lugar.
Um planejamento detalhado com metas e objetivos, prazos e passos necessários sempre vai acelerar o processo visando a concretização da construção gradativa da estrada larga onde vamos seguir em direção à felicidade.
A felicidade não é só um estado de êxtase. A felicidade é mais uma soma de todos os momentos vividos intensamente no Aqui-Agora. É a compreensão de que desde o começo dos tempos o Universo segue leis naturais sem contestá-las, entendendo-as como a essência de todas as coisas.
Todo fim de ano é uma oportunidade de convidarmos nossa criança interior a assumir a condução de nossos atos. Colocando alegria em cada atitude e em cada gesto vamos arar a terra deixando que brotem sentimentos de amplitude e integração apropriados para que renasçamos junto com o Cristo trazendo a cada indivíduo a chance de começar de novo a cada ano.
Essa criança que há dentro de cada um de nós e que não fica pulando do passado para o futuro vive prazerosamente cada momento presente por menos significativo que ele venha a parecer.
A criança intuitivamente sabe que no presente construímos o futuro e só no presente podemos ter então a tranqüilidade para nos permitirmos reestruturar emocionalmente nossa relação com o passado nos libertando e libertando aqueles que de alguma forma se fazem presentes em nosso caminhar pelo mundo.
Não é só a criança que nasce na manjedoura há 2000 anos. É a criança que nasce em nosso íntimo trazendo uma carga redobrada de esperança e todas as infinitas possibilidades de retomarmos nossa vida e torná-la conscientemente a coisa mais importante em que podemos concentrar nossa atenção, agirmos e nos abrirmos para todas as maravilhas que podem decorrer dessa ação correta espontânea.
Quando deixamos a criança interior nascer em nosso íntimo uma onda amorosa invade nossa praia levando e lavando as mágoas, os ressentimentos, as frustrações, a tristeza, a solidão, o baixo-astral, a incompreensão e todos os nossos medos e incertezas.
Conseguimos assim nos atirarmos na torrente das incertezas que traz constantemente todas as novas possibilidades.
Possibilidades de crescimento, possibilidades de elevarmos nossa auto-estima e passarmos a cuidar mais de nós mesmos.
Possibilidade de confiarmos mais no plano divino e deixarmos de julgar e nos indispor o tempo todo com a realidade que nos cerca e que não gostamos muito de aceitá-la como é, justamente como é.
Só a aceitação da realidade como é vai nos dar a clareza e os instrumentos de análise apropriados a escolhas que nos levem a uma vida harmônica, equilibrada, saudável e acima de tudo amorosa e potencialmente feliz e realizada.
A aceitação da realidade passa pela aceitação de todos os que nos cercam, como são e entendendo que todos, indistintamente, estão vivendo de acordo com sua tabela de valores e sempre trilhando o que acham ser o caminho da felicidade.
Então o mês de dezembro torna-se uma ponte emocional onde a travessia vai nos permitir escolher a abordagem e postura a serem adotadas na construção de um ano novo. De um ano realmente novo.
Um ano onde cada dia possa ser tambem novo e cheio de horas e minutos onde vamos nos permitir ser novos, novos e novos.
Novas horas e novos minutos, onde o perdão viria ser o sol que ilumina nossas existências trazendo um sentimento de liberdade tão grande que ficaremos brilhando como a estrela de Belém que vai guiar nossos semelhantes na descoberta do Cristo que dorme na manjedoura de nossos corações.

