domingo, 31 de outubro de 2010

O Sonho acabou. Só tem Banana Real.

À exceção daqueles poucos sonhos que temos e ficamos fascinados pela sua "realidade", a maioria dos sonhos deixa sempre aquele sabor de sonho quando acaba. A gente sabe que estava sonhando e mais, que já acordou. Não importa se o sonho era "bom" ou "ruim".

Hoje, vejo claramente que a maioria de nós passa a vida como se estivesse sonhando. Um fluxo interminável de situações às quais meramente reagimos, quando muito.

Nosso navio parece estar à deriva. Por absoluta falta de metas, objetivos e se cabe, um mínimo de planejamento.

Falo planejamento pois ao realizarmos o planejamento começamos pelo fim e vamos voltando. Planejamento exige condição sine qua non a visão clara de futuro, de qual será a situação final, ideal. A partir desta clareza é que pode-se montar passo a passo o roteiro a ser seguido. É ineficiente qualquer planejamento sem um objetivo a ser atingido. Em torno deste objetivo final vamos definindo ações a serem implementadas, degraus a serem galgados, conquistados.

Um bom gestor de projetos entende que cada uma destas ações, a serem incluídas de forma crescente e gradativa na linha de tempo, no cronograma tem que ser atribuídas a alguém ótimo, aquele que vai ser eficaz na sua implementação. O segundo ponto é que a ação passa pelo fator motivação. Todas as ações do conjunto levam, precisam levar, em seu âmago o combustível (entusiasmo) necessário à sua plena realização.

A liderança consiste na capacidade de aplicar a lei da potencialidade pura (aceitação plena da realidade atual) a cada passo do projeto. O administrador trabalha em cima de uma realidade, sonha, projeta uma realidade alternativa e conduz sua equipe (soma de talentos) em sua direção. O administrador, antes de tudo, é aquele que avalia bem os recursos disponíveis e com estes, "apenas" estes, constrói novas estradas em novas direções.

Todo administrador, na construção de novas realidades dispõe de todos os recursos necessários, sua realidade atual. Quando se sabe com o que se conta e se sabe da meta a ser atingida basta organizar cada ação legítima, plena de motivos (motivação) e logo, logo a vida estará fluindo adequadamente qual rio que tolerantemente mantém seu ritmo, talvez pela certeza de que tendo a direção definida, a lei natural do mínimo esforço cuidará do estritamente necessário e toda e qualquer meta será atingida a seu tempo. Cada ação plena de motivação, legitimidade conduz a um sentimento de realização. O sonho (realidade alternativa) bem planejado, prevalecendo-se de um contato íntimo com os recursos disponíveis (realidade atual) imbuídos de motivação (motor) leva invariavelmente a um sentimento de realização (tornar real), atingimento , de propriedade, de plenitude.

Aí é só comemorar...

domingo, 17 de outubro de 2010

A Grande Dor


Nas minhas andanças massoterapêuticas aprendi o quanto estamos mergulhados, sem perceber, num estado de dor e medo típico de um pós-guerra mundial. Num pós-guerra, milhões de seres humanos, de uma abordagem bem cultural, sentem perdas e muita dor.
Temos uma capacidade imensa de “eliminar” a dor mudando o limite de sensibilidade. A dor fica lá. Mas não sentimos. Até que alguém chegue e toque os pontos contraídos. Aí, dói. A impressão que temos é que passou a doer a partir daquele momento. Mas já estava tudo dolorido, acumulado. Estamos mergulhados, qual peixes de aquário, num oceano de dor. E como o peixe que não sabe da água por não ter outra referência, também não sabemos desta dor. Qualquer um que chegue nos tocando, física, mental ou emocional torna-se o culpado. Mas ia tudo tão bem...
A percepção do quanto estamos todos tão doloridos cria duas situações dignas de avaliação. A primeira é que para conseguirmos ficar conscientes, neste estado de dor temos de ter um suporte, um acolhimento, um encorajamento. A segunda é que existe um pacto social no sentido de ficar todo mundo quietinho se fazendo de morto para ver se a coisa passa. Alienados como somos e, portanto impedidos de enxergar que podemos nós mesmos fazer alguma coisa, escolher fazer parte de outro processo, sentimo-nos sempre ameaçados por qualquer messias que chegue com boas novas. Ficar quietinho vai ajudar a dor a passar. Mas a dor não passa. A dor fica lá. Dormindo. Estaremos, mitologicamente, sempre sacrificando alguém para aplacar a fúria dos deuses. Alguém que assuma todos os pecados, todas as culpas.
Poder admitir que não estamos bem certos, confusos, traz dor. E dor, olha já tem demais. Cobrir a dor, elevar o limite é, no mínimo, um adiamento. Até quando devemos adiar?
A ilusão de separatividade, o conceito de individuo do qual estamos imbuídos de forma veemente, ajuda a manter um sentimento de que estamos sós. E de todo jeito, de forma absoluta, não somos separados, nunca estamos sós. A partir de uma maneira distorcida de percebermos a realidade continuamos acreditando que o Universo é constituído por partes. Ora, se nossa mente não está bem treinada de maneira a podermos usar uma visão sistêmica em nossa interação com a vida isto não significa que nosso Universo seja constituído de partes. Segundo manuscritos muito antigos houve um tempo que as coisas não tinham um nome. E foi dada ao homem a condição de nomear cada coisa. Tenho a impressão que a partir daí começou a confusão. E o uso destas palavras que nomeiam todas as coisas possibilita a criação de verdadeiras armadilhas, onde sob a ilusão de estarmos separados aprisionamos seres a quem afirmamos gostar, amar. Tanto faz se somos o prisioneiro por trás das grades ou o policial que fica do lado de fora para evitar uma fuga. Todos dois estão presos. E restritos a uma paisagem que nunca muda. Todos dois estão de castigo. Quando colocamos alguém de castigo ficamos também de castigo, pois temos de vigiar. E ficamos presos. Quando fazemos isto alegando que o outro precisa aprender é porque não aprendemos nada, nada.
Até quando sairemos procurando aceitar Jesus e crucificando toda a humanidade? Tentamos reproduzir as ações do Cristo, mas carregamos uma culpa tão grande que vamos, por precaução, crucificar todos que estejam tentando ser felizes, dar certo. Tem uma parte nossa que é pequena, feia e suja. Tem outra parte que é o Universo inteiro. Quando alguém te convence que é somente a parte pequena: sórdido, medroso, perverso... é porque somente sua própria parte pequena está atuante. Para podermos ver a grandiosidade presente em todas as coisas precisamos exercitar mais o nosso Universo. Precisamos entender melhor o mecanismo da dor e do prazer. Acreditar que somos indivíduos, pequenos, partes e que podemos eliminar a dor tentando esquecer dela, tem causado toda esta confusão.