
O princípio de Causa e Efeito foi abordado, de forma impecável, por Hermes Trismegisto, contemporâneo de Abraão e instrutor deste sábio, que viveu no Egito da Antiguidade.
Todas as coisas obedecem a uma seqüência infindável de fatos (causa-efeito). Segundo O Caibalion (livro esotérico e ocultista sobre os Princípios Herméticos, publicado pela primeira vez em 1908, em inglês), que reunia boa parte dos ensinamentos herméticos, não existe o Acaso. Este princípio contém a verdade de que há uma Causa para todo Efeito, e um Efeito para toda Causa.
Não há nada casual. Hoje vemos uma discussão acirrada em torno do fenômeno Big Bang, que teria sido a explosão que deu origem a nosso universo conhecido, onde uma coisa decorre da outra e assim sucessivamente.
Nosso universo estaria em expansão com todas as coisas interagindo como se fossem as bolas em uma grande mesa de bilhar, num movimento infindável.
Essa Lei de Ação e Reação, Causa e Efeito é difícil de observar devido ao fator tempo. Normalmente esperamos que a reação siga a ação num espaço de tempo razoável para que uma ligação lógica, visível possa ser feita entre as duas.
Quando o tempo entre ação e reação se prolonga por dias, meses ou anos, muitos indivíduos tentam explicar a Lei de Causa e Efeito com a palavra “coincidência”. Essa palavra é o obstáculo que o homem precisa superar se quiser compreender a verdade universal.
De qualquer lugar que um indivíduo retire sua compreensão, sejam suas raízes orientadas matemática, científica, filosófica ou religiosamente, ou encontradas em alguma mistura de todas elas, o fato é que a “coincidência” é impossível.
As coincidências surgiriam da dificuldade em associar as Causas aos Efeitos.
Na doutrina esotérica nos é ensinado que o plano físico é o plano dos Efeitos, o ultimo e o mais denso de uma série de estados de consciência progressivamente mais sutis.
Nenhum evento ou circunstância temporal pode ocorrer sem ter sido primeiramente posto em movimento por uma idéia, receber uma carga emocional, para então se manifestar como ação.
As doenças são cada vez mais identificadas como manifestações psicossomáticas de distúrbios e dificuldades.
Diante do volume de estímulos sensoriais a que todos estamos submetidos surge a dificuldade em selecionar o que realmente faz parte do nosso processo e fica difícil associar, na maioria das vezes, as causas aos efeitos.
O desejo da humanidade de explicar o mundo em termos causais trouxe muita confusão e suscitou várias controvérsias na historia do conhecimento humano.
Temos situações em que os efeitos vêm antes das causas: --- Comprei o presente porque o aniversário dela é semana que vem. --- estou saindo agora porque o meu ônibus parte daqui a meia hora --- estou comprando hoje porque amanhã é Domingo, etc.
Dentro de uma visão mais atual, holística, temos uma abrangência fantástica quando somos levados a perceber a sincronicidade, pois não só muda a seqüência causa-efeito, efeito-causa como também vemos várias causas interagindo com vários efeitos. A sincronicidade foi um termo atribuído pelo eminente psicanalista Carl Jung. E é isto que vemos na história de Wang:
Wang sonhou que era uma borboleta. Ele estava sentado nas flores no meio do gramado. Ele voava de um lado para outro, feliz. Então acordou: não sabia mais se era Wang que sonhava que era uma borboleta, ou se era uma borboleta que sonhava que era Wang.
Passando a bola
Um homem acordou e ao levantar-se da cama não encontrou seu chinelo no lugar de costume. Como ele não gostava de pisar, logo cedo, no chão frio, ficou muito mal-humorado. Tomou um banho, vestiu-se e foi tomar o seu desjejum.
A cozinheira tinha feito o suco de sua preferência, só que imerso no mau humor ele disse que o suco estava doce demais e que nunca tinha bebido um suco tão malfeito.
A cozinheira por sua vez, sem saber do ocorrido, ficou muito nervosa com o tratamento e acabou, sem querer, salgando o almoço.
A família reunida na mesa do almoço e a insatisfação foi geral. Uns nem almoçaram. Beliscaram e voltaram ao trabalho mal-humorados.
Durante a tarde transmitiram esse mau humor aos colegas e clientes que sem saber estavam levando a sementinha de mau humor a todo canto.
Num efeito “bola de neve”, de alguma forma, na semana seguinte aquele senhor do chinelo teve uma de suas expectativas frustradas pelo mau humor de um corretor a quem ele havia sido apresentado e que de alguma forma continuava “passando a bola”.
Só que ele, como a maioria de nós, não percebe o alcance das próprias atitudes, sejam positivas ou negativas.
Para nós que acompanhamos o movimento de transmissão de mau-humor ficou fácil ver que o efeito invariavelmente tende a voltar ao causador. Tudo é questão de tempo.
A Regra de ouro
Da mesma forma, se bem entendida e aplicada a regra de ouro de “fazer aos outros apenas aquilo que desejaríamos que os outros nos fizessem, se estivessem em nossa situação.” faria milagres em nossas vidas.
Se um homem compra um par de sapatos importados, ele está indiretamente ajudando a alimentar uma família de um país estrangeiro, que talvez nunca conheça. Entretanto, ele ajudou a melhorar a economia do país estrangeiro e, ao mesmo tempo, permitiu que a família que foi diretamente beneficiada com isso fizesse negócios em outro lugar, talvez comprando comida produzida por pessoas que ela, por sua vez, nunca conhecerá.
As pessoas que produziram a comida podem, por sua vez, adquirir suas máquinas no país do comprador inicial. E a parte fascinante de todo o ciclo fica clara quando se percebe que, provavelmente, algumas partes dessas máquinas tenham sido fabricadas naquele país por uma companhia que paga um salário ao homem que comprou o par de sapatos!
Assim, através de uma série de mundos diferentes, formados por pessoas que talvez nunca se conheçam, cada uma se choca com a vida da outra para que a lei universal de Ação e Reação, Causa e Efeito, a Lei Cósmica do Karma seja cumprida.
"Toda Causa tem o seu efeito, todo Efeito tem a sua causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei.” – O Caibalion